Da cozinha ao céu: como a reciclagem de óleo de cozinha usado em Minas Gerais ajuda a produzir o novo biocombustível de aviação do Brasil.
A primeira produção nacional de SAF, o combustível sustentável de aviação, finalmente saiu do papel. E esse avanço tecnológico abre uma porta direta para quem mora em Belo Horizonte e Região Metropolitana: o óleo de cozinha usado, quando descartado corretamente, pode se transformar em matéria-prima para biocombustíveis avançados.
Neste artigo, explicamos como funciona essa transformação, por que ela é estratégica para o Brasil e como qualquer morador da RMBH pode contribuir para uma cadeia que vai do fogão ao céu.
O que é o SAF e por que ele importa agora
O SAF (Sustainable Aviation Fuel) é um biocombustível capaz de substituir o querosene de aviação tradicional sem exigir mudanças nas aeronaves. Ele reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa e será obrigatório no Brasil a partir de 2027, por meio das regras internacionais do programa CORSIA e das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro – Lei 14.993, de 8 de outubro de 2024.
Com a primeira entrega nacional realizada pela Petrobras, um volume de 3 mil m³ chegou ao setor aéreo, quantidade equivalente a um dia de consumo dos aeroportos do Rio. É um marco: o país passa a produzir, de fato, um combustível sustentável que antes parecia distante da realidade brasileira.
Da cozinha à refinaria: como o óleo usado entra na cadeia
O ponto mais importante para o leitor comum é simples: reciclar óleo de cozinha usado agora tem impacto direto na produção de biocombustíveis avançados.
Isso acontece porque uma das rotas tecnológicas do SAF utiliza matérias-primas renováveis. Entre elas, estão sebo bovino, gorduras animais e resíduos oleosos, incluindo o óleo de cozinha pós-uso. Quando coletado e tratado corretamente, esse óleo é transformado em insumos que podem ser coprocessados em refinarias, integrando a produção de biocombustíveis.
Em outras palavras: o óleo descartado na sua pia pode virar energia limpa no setor aéreo.
Por que Minas Gerais entra no mapa
Belo Horizonte e Região Metropolitana geram milhares de litros de óleo usado por mês. A maior parte ainda é descartada incorretamente, causando entupimento de redes, aumento de custos de tratamento de esgoto e danos ambientais.
A produção nacional de SAF cria uma demanda real e crescente por resíduos recicláveis. Isso transforma a coleta de óleo usado em atividade estratégica:
- reduz poluição urbana;
- fortalece cooperativas e operadores ambientais;
- movimenta a cadeia mineira de reciclagem;
- e abastece a indústria de biocombustíveis que nasce com força no país.
Para o morador da RMBH, a lógica é direta: quanto mais óleo é coletado, maior a capacidade do estado de participar dessa economia limpa.
O fundador da Óleo Verde Resíduos, Rodolpho Mares, resume bem esse momento: “Cada litro de óleo descartado corretamente aproxima Minas Gerais de uma aviação menos poluente. E nós ajudamos essa transformação a decolar.” — afirma o gestor da empresa de coleta e reciclagem de óleo residual.
Onde descartar óleo de cozinha usado em BH e Região Metropolitana
A regra é clara: nunca jogue óleo na pia. Armazene em uma garrafa PET, deixe esfriar e entregue em ecopontos, pontos de coleta autorizados e estabelecimentos parceiros. Empresas de reciclagem da região, como a Óleo Verde, atuam exatamente nesse elo logístico, coletando, filtrando e enviando o material para processamento adequado em usinas e refinarias.
Quanto maior a participação da população, maior a oferta de matéria-prima sustentável para a produção de biocombustíveis como o SAF.
Do ato doméstico ao impacto global
A aviação é um dos setores mais difíceis de descarbonizar. Por isso, o SAF é visto internacionalmente como solução chave para a próxima década. E, surpreendentemente, tudo pode começar na sua cozinha.
Reciclar óleo usado deixa de ser apenas uma atitude ambiental e passa a ser parte de uma cadeia tecnológica de alto impacto. Um gesto simples que, somado ao de milhares de moradores da RMBH, fortalece a economia circular, reduz emissões e ajuda o Brasil a ocupar posição de liderança na transição energética.
Quando você descarta corretamente, o seu óleo usado faz a reciclagem voar.


